No mundo há mais de um bilhão de adultos com sobrepeso e 300 milhões com obesidade segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A obesidade é uma doença crônica que afeta cerca de 18% das mulheres e 13% dos homens no Brasil. Isso representa cerca de 19 milhões de habitantes, sem contar os mais de 50% de brasileiros com sobrepeso segundo pesquisa encaminhada pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica em 2007.

Nos Estados Unidos, cerca de dois terços dos indivíduos são obesos ou têm excesso de peso , um em cada três norte-americanos é considerado obeso, e a outra terça parte sofre de excesso de peso crônico. Em geral 31% dos homens e 35% das mulheres sofrem de obesidade e apenas 1% destes têm acesso à cirurgia bariátrica. O Brasil, por sua vez, realiza em média 20 a 30 mil cirurgias bariátricas por ano. Sabidamente 10% destes pacientes reganham peso ao passar dos anos. Então, ao ano, são 2 a 3 mil obesos que voltam a engordar, a apresentar toda a gama de doenças associadas à obesidade como diabetes, hipertensão arterial, dislipidemia (aumento do colesterol e triglicerídeos), apnéia do sono, artropatias e sem contar a baixa auto-estima e problemas psicológicos ou psiquiátricos.

Devemos levar em consideração os motivos pelos quais os pacientes reganham peso. Os maus hábitos dietéticos como a ingesta abusiva de doces e álcool, o sedentarismo, a escolha inadequada da técnica cirúrgica e o rápido esvaziamento dos alimentos do novo estômago pela dilatação ou confecção maior da anastomose gastrointestinal (costura entre o estômago novo e o intestino desviado) devem ser investigados. Uma boa conversa com o paciente, avaliação nutricional e psicológica ou psiquiátrica no pré-operatório, bem como o incentivo à atividade física e aos retornos com a equipe multidisciplinar são de fundamental importância para evitar o insucesso da cirurgia bariátrica. Com relação à anastomose gastrointestinal (junção cirúrgica entre segmentos do intestino), várias técnicas para redução do seu calibre vêm sendo tentadas, porém sem muitos resultados animadores. Quanto maior o calibre desta anastomose, mais rápido o esvaziamento gástrico e consequentemente maior a ingesta alimentar. O contrário é verdadeiro, ou seja, quanto menor o diâmetro desta “saída” do novo estômago operado, mais lento será o esvaziamento gástrico e mais precoce será a saciedade alimentar do paciente.

Baseados nestes fatores oferecemos aos nossos pacientes um tratamento para perder o peso recuperado ou que ainda falta perder.
Uma nova modalidade de procedimento endoscópico que visa reduzir o diâmetro da saída do estômago operado em pacientes já submetidos à cirurgia bariátrica e que estão reganhando peso, vem sendo desenvolvido com plasma de argônio. O plasma de argônio ganhou importância no campo da endoscopia digestiva desde a década passada. Esta técnica promove uma termocoagulação da mucosa da anastomose gastrointestinal e consequentemente uma redução do seu calibre. Com isso, o esvaziamento gástrico é retardado e a saciedade alimentar do paciente torna-se mais precoce.

O procedimento é ambulatorial, ou seja, o paciente recebe alta logo após despertar da sedação que é realizada sob a supervisão de um médico anestesiologista. São realizadas cerca de até três sessões com intervalo de seis a oito semanas entre cada uma delas. Os resultados iniciais são animadores, porém o paciente deve ser encorajado a realizar atividade física e acompanhamento psicológico.

A vantagem de tudo isso é que o procedimento é minimamente invasivo, não necessitando de outra cirurgia; praticamente isento de riscos e completamente bem tolerado pelos pacientes.



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